Vladimir Cunha
Parceiros da Noite (Cruising - Dir: William Friedkin - EUA - 1980) - Se tem um filme complicado é esse. Tem gente que ama, tem gente que odeia. E quem odeia em geral é pelos motivos errados. Em parte pelas cenas excessivamente explícitas de sexo gay suado e violento. Pacino é um tira de Nova York que aceita uma missão espinhosa: se infiltrar no submundo gay da região dos açougues de Manhattan, servindo de isca para um serial killer assassino de homossexuais. E quando digo submundo é submundo MESMO. Esqueça o colorido das drag queens e a alegria disco do Village People. O negócio aqui é couro, correntes, punk rock e sexo nas quebradas mais fedorentas de Nova York. O resultado em uma descrição não muito simpática da sub-cultura gay sadomasoquista dos anos 70. E não é para menos: no filme, ser gay significa andar parece um metaleiro, tomar uns cacetes e transar com qualquer um que passe pela frente. Obviamente a brincadeira enfureceu os ativistas pelos direitos dos homossexuais, que boicotaram o filme e organizaram brigadas cuja missão era atrapalhar as gravações. Política à parte, Cruising é um bom filme policial de horror, ambíguo e interessante por mostrar os dilemas morais de Pacino, cada vez mais perturbado com a própria sexualidade à medida que mergulha em infindáveis orgias e sessões de sexo sem compromisso.
O Espantalho (Scarecrow - Dir:Jerry Schatzberg - EUA - 1973) - Incrível saber que Pacino fez esse filme modesto logo depois do mega-sucesso de O Poderoso Chefãoo, que foi o que lhe transformou no astro que é hoje. Basicamente é um road movie, uma espécie de Perdidos na Noite pé na estrada que conta a história de Max (Genne Hackman) e Lionel (Al Pacino), uma dupla de perdedores, cada qual lidando a sua maneira com o fim do Sonho Americano. O tempo passa e o que era desespero e solidão se transforma em laços verdadeiros de amizade e afeto, ainda que os dois homens estejam constantemente imersos em uma realidade violenta e decadente.
The Panic in the Needle Park (Dir: Jerry Schatzberg) - Tão realista que mais parece um documentário, The Panic in Needle Park mostra o dia-a-dia dos viciados em heroína de Manhattan. Como todos os filmes do período, a cidade é um lugar feio, sujo e violento, bem diferente da Nova York glamourosa e descolada de seriados como Friends e Sex & The City. Os personagens não fazem muita coisa além de perambular pra lá e pra cá, sempre envolvidos em pequenos golpes e sessões de consumo de heroína. E no meio de tudo isso, uma história de amor envolvendo Bobby (Pacino) e Hellen (Kitty Winn), que desde o começo a gente sabe que não vai terminar bem.